I. Condições
Arquitetura
Cibercultura
1945

Vannevar Bush formaliza a idéia de hipertexto em seu "As we may think". Bush previu a possibilidade de juntar registros pessoais e públicos através de anotações com o valor de inscrição da informação e os vários caminhos criados pelos usuários.

1946

Mauchly e Eckert desenvolveram o primeiro computador para uso geral, o ENIAC (computador e integrador numérico eletrônico). Ele pesava 30 toneladas, foi construído sobre estruturas metálicas com 2,75 m de altura, tinha 70 mil transistores e 18 mil válvulas a vácuo e ocupava a área de um ginásio esportivo. Quando ele foi acionado, seu consumo de energia foi tão alto que as luzes de Filadélfia piscaram.

1947

O transistor é inventado na empresa Bell Laboratories. Possibilitou o processamento de impulsos elétricos em velocidade rápida e em modo binário de interrupção e amplificação, permitindo a codificação da lógica e da comunicação com e entre as máquinas: estes dispositivos têm o nome de semicondutores, mas também são chamados de chips (na verdade, agora constituídos de milhões de transistores). O transistor desempenha a mesma função que uma válvula – deixar ou não deixar passar uma corrente elétrica –, mas ocupando um espaço muitas vezes menor.

Em função do transistor, o tamanho dos computadores foi reduzido rapidamente.
1957

A ARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada) é criada para assegurar a superioridade americana frente aos russos em plena Guerra Fria.

O passo decisivo da microeletrônica foi dado: o circuito integrado foi inventado por Jack Kilby. Essa iniciativa acionou uma explosão tecnológica. Entre 1959 e 1962, os preços dos semicondutores caíram 85%, e nos dez anos seguintes a produção aumentou vinte vezes, sendo que 50% dela foi destinada a usos militares.

Vive-se o auge da corrida espacial e da Guerra Fria, a batalha ideológica e psicológica que os Estados Unidos e a União Soviética (as duas superpotências mundiais) vinham travando. A União Soviética estava na liderança da corrida espacial desde outubro, quando colocou em órbita o Sputnik, o primeiro artefato produzido pela humanidade a escapar da força da gravidade da Terra. Antes mesmo de os americanos reagirem ao Sputnik 1, a União Soviética atacou novamente: um mês depois, a bordo do Sputnik 2, a cadela Laika se transformou no primeiro ser vivo a enxergar o globo terrestre rodando solto na imensidão. A contra-ofensiva dos Estados Unidos se dividia em duas promessas: a primeira era colocar um americano na Lua até o fim da década e trazê-lo ileso de volta à Terra; a segunda, feita neste mesmo ano, era construir um sistema de defesa à prova de destruição (criou-se a ARPA). Os americanos desconfiavam que os russos poderiam estar arquitetando um plano maligno de disparar morteiros contra os EUA.
II. Formulação Teórica da Rede
1960
A AT&T desenvolveu o Dataphone, que, assim como os modems de hoje, transformavam dados digitais em sinais analógicos, transmitiam esses sinais por cabos telefônicos e depois reconstituiam-nos no formato digital original. O maior problema era o tempo: demorava cerca de 4 minutos para transferir uma página de texto.
A palavra rede era raramente usada para se referir à sociedade e, quando o era, tinha um sentido negativo. No comportamento humano, a rede indicava o que prendia ou limitava, como "cair nas malhas da rede". Um outro sentido designava associações secretas e que operavam em oposição às regras públicas de justiça, como rede de criminosos. No sentido técnico, a rede designava canais fixos de circulação de algum fluxo, como energia, informação, água e esgoto. Será o desenvolvimento da Internet que nos habituará à relação do conceito de rede com os de espaço público, ilimitado e liberdade.
Comutação por pacote: método para transmitir dados através de uma rede. A técnica foi inventada independentemente por dois cientistas da computação: Paul Baran (EUA) e Donald Davies (Inglaterra). Baran idealizou a comutação por pacote na RAND Corporation (corporação não-lucrativa dedicada à pesquisa em estratégia militar e tecnologia) no início da década de 60; Davies desenvolveu sua concepção alguns anos mais tarde.
Os grandes projetos de computação eram financiados pelo Estado, o que tornava sua formulação e implementação sensíveis ao que o contexto de cada país definia como estratégia adequada. Na Inglaterra, o projeto de uma rede de computadores visava reduzir um atraso tecnológico por facilitar o acesso ao poder de computação. Nos EUA, a finalidade da comutação por pacote era a de criar um sistema de trocas de informaçào que sobrevivesse a um ataque nuclear, funcionando no interior da política de dissuasão.
Para evitar que os EUA perdessem controle sobre seu arsenal de bombas e mísseis em caso de um ataque nuclear (Guerra Fria) e para garantir a sobrevivência e a eficiência dos sistemas de comunicação, Paul Baran propôs um sistema de transmissão de mensagens ponto a ponto rápido, a partir de computadores de comutação pequenos, baratos e sem grande capacidade de memória. Idéias como redundância, partilha de recursos, automação do roteamento e padronização do tamanho do pacote foram decisivas para o sucesso da proposta. Os conceitos-chave do sistema eram flexibilidade, descentralização e automação da inteligência e da decisão, tolerência à diversidade e robustez - em detrimento da comutação hierárquica e centralizada de mensagens no sistema telefônico até então vigente.
Da necessidade de partilhar o poder de processamento do computador, emerge a ética Hacker, que valorizava feitos de programação (como escrever um programa com o menor número de linhas de código possível), que deveriam ser livremente distribuídos. Eis os seus princípios segundo uma sistematização feita na década de 80: "o acesso a computadores e a qualquer coisa que possa ensinar sobre como o mundo funciona deve ser ilimitado e total"; "toda informação quer ser livre"; "promova descentralização"; "desconfie da autoridade"; "renda-se ao imperativo do trabalho"; "faça você mesmo"; "contrarie o poder"; "alimente o barulho do sistema"; "navegue". O sentido original do termo Hacker é, portanto, o de programadores entusiasmados que compartilham seus trabalhos com outros, e não criminosos que atacam sistemas de computador.
O desenvolvimento dos computadores implicou o surgimento dos mainframes com diversos terminais e a proposta de computação em tempo real, aproveitando-se da distinção entre o tempo da máquina e o tempo do usuário. A comutação em tempo real modificava a prática do batch-processing, em que o trabalho de programação era tediosos por ter que perfurar cartão, entregar o programa para um funcionário, entrar na fila e esperar o resultado e repetir o processo para corrigir erros. Os terminais aproximaram o homem da máquina por permitir a programação em tempo real.
1962
À medida que a tecnologia de fabricação dos circuitos integrados progredia e conseguia melhorar o design dos chips com o auxílio dos microcomputadores mais rápidos e avançados, o preço médio de um circuito integrado caiu de US$50 em 1962 para US$1 em 1971.
John Licklider, cientista do MIT, publicou trabalhos em que mostrava a viabilidade da criação de uma "Rede Galáctica": um grande número de computadores ligados entre si e que poderiam ser acessados por qualquer pessoa, mas sem atrapalhar quem estivesse operando o computador do outro lado da linha.
1965
Ted Nelson cria o termo que é o conceito-chave de toda a rede: hipertexto, que usa o sistema de links. Deste modo, a conexão entre informações não é organizada hierarquicamente e de modo linear. O link visaria a dar dinamismo à busca de informações. Um texto em hipertexto não tem margem nem define, na sua materialidade, uma totalidade, como o fazem o livro e o jornal. Os limites da compreensão são dados pela curiosidade do leitor.
1967
Leonard Roberts publicou os resultados de anos de pesquisa na ARPA. O "Plano para a Arpanet" e sua repercussão permitiram à ARPA constatar que outros pesquisadores independentes estavam chegando a conclusões e resultados semelhantes aos da ARPA.
Pela automatização e localização da inteligência e da decisão,torna-se possível pensar o conceito de sistema acentrado, cujos componentes possuem apenas uma percepção e ação locais e mesmo assim o sistema é suscetível de perfomaces globais. O exemplo mais conhecido da aplicação do conceito de rede à teoria dos sistemas é o problema do pelotão de fuzilamento: como os diverosos autômatos podem sincronizar suas ações sem que haja uma instância central, um general ordenando "fogo!". Esse problema já era conhecido dos cientistas de computação como Marvin Minsky. Essa intuição da rede marcará a teoria da complexidade na década de 80.
1968
Douglas Engelbart desenvolveu o primeiro sistema de hipertexto que funcionava. Também inventou a interface gráfica e o mouse.
Os movimento de maio de 68 convidavam a explorar os limites de nossa sensibilidade corporal e de nossa consciência; criticavam a rotina, a família e a carreira, isto é, uma vida tediosa e planejada, como dizia o conhecido slogan "métro-boulot-dodo" (metrô-trabalho-sono). Todas essas críticas rejeitavam o modelo do homem ocidental branco. Declaravam estreita a concepção de sujeito que então vigorava. Trata-se aqui do direito à diferença, do futuro como diferente do presente, do outro como convite e inquietação, da possibilidade de ser diferente de si mesmo. Estes movimentos, portanto, opunham-se ao futuro e à consciência como centros. O conceito de rede, pelo seu acentramento, será usado pelos teóricos de 68.
III. Implementação da Rede
1969
Uma linha telefônica exclusiva e adaptada à velocidade requerida pelo sistema permitiu que os modems de 2 computadores remotos pudessem se comunicar diretamente e transmitir dados com a rapidez necessária. O resultado foi a Arpanet.
Em julho, Neil Armstrong pisou na Lua, cumprindo a primeira promessa feita pelos EUA para fazer frente à liderança da União Soviética na corrida espacial.
1970
A Xerox lança o protótipo de uma máquina portátil desenvolvida para pertencer a um único indivíduo. Além de revolucionário para uma época em que os computadores eram enormes, caros e pesados, o Alto, como foi batizado, apresentava as seguintes características:
De uma só vez, a Xerox havia antecipado toda a revolução das décadas seguintes, construindo o micro pessoal e antevendo a Internet atual.
_ para que o usuário de um Alto não tivesse que decorar e digitar milhares de instruções, os cientistas criaram pequenos desenhos que ficavam na tela, através dos quais era possível abrir os programas. Eram os ícones, sem os quais 99% de nós não saberíamos como operar um micro;
À medida que confere ao usuário a possibilidade de ele próprio mover as coisas na tela, o mouse inaugura uma ilusão de presença. É a imersão.
_ para abrir ícones, foi usado um pequeno aparelho conectado ao micro. Ao movê-lo, o usuário via um pontinho caminhar na tela, reproduzindo o movimento feito com a mão. Era o mouse, permitindo a manipulação direta.
O computador pessoal abrirá caminho para sua transformação: computador como tecnologia de comunicação; acumula e conecta; faz suporte e transporte de informação; concentração e depósito de tudo - viável pelo fato de toda a informação poder ser representada por números.
_ em vez de fazer os caracteres aparecerem já formados na tela, o sistema construía cada um deles, a partir de milhões de pontos isolados (os pixels), um processo chamado de bit mapping, que é a base de qualquer sistema gráfico.
1971
O microprocessador foi inventado por Ted Hoff. O microchip é uma placa minúscula à base de silício com uma série de transistores. Na prática, é um computador em um único chip. Sua invenção permitiu que a capacidade de processar informação pudesse ser instalada em todos os lugares. Começava a disputa pela capacidade de integração cada vez maior dos circuitos contidos em apenas um chip, e a tecnologia de produção e design sempre excedia os limites da integração antes considerada fisicamente impossível sem abandonar o uso do silício.
Dois anos depois de ter sido criada, a Arpanet já tinha 23 grandes computadores conectados e interligados, transferindo informações uns para os outros.
1972
A Arpanet foi apresentada ao público em geral no 1o. Congresso Internacional de Computadores e Comunicação, em Washington, através de uma demonstração prática que interligava 40 computadores em pontos diferentes do território americano.
E-mail: programa apresentado por Ray Tomlinson que permitia o envio de mensagens individuais, de pessoa para pessoa, multiplicando caminhos e abrindo conexões antes inexistentes. Prova de que os usuários desempenharam papel ativo na transformação da rede, o e-mail traz uma série de vantagens: é instantâneo e assíncrono; dota o indivíduo da capacidade de enviar a mesma mensagem para vários; permite o mailing list (mecanismo todos/todos); permite a criação de uma comunidade de interesses (proximidade espacial e social não mais determinantes para reunir pessoas).
O e-mail promove uma mudança do sentido e da topologia da rede. Tal como implementada, a Arpanet visava a permitir o acesso remoto ao poder de processamento de computadores espalhados. Neste sentido, a rede significava um melhor modo de se distribuir um recurso escasso. Todos os computadores tornam-se um único grande computador acessado de qualquer lugar. Graças ao e-mail, a rede passa a ser vista como meio de comunicação. Torna-se dinâmica (novas informações sempre estarão surgindo), mutável, capaz de aproximar pessoas, permitindo a livre expressão e a troca de idéias. Rede como espaço público?
1974
Alohanet (comutação por pacotes feita por rádio) e Satnet (rede por satélite) são exemplos de redes que estavam sendo desenvolvidas paralelamente à Arpanet. É necessário destacar a importância do desenvolvimento de redes paralelas e locais para o crescimento da Internet, que ocorreu pela periferia. Esse crescimento só foi possível graças ao TCP/IP, que cria uma interface comum, permitindo a conexão de todas essas redes.
O desenvolvimento da Alohanet e da Satnet engendrará a preocupação com um protocolo comum (ou Internet - entre redes) para as diversas redes.
Bob Kahn e Vinton Cerf apresentam o TCP/IP (Transmission Control Protocol/ Internet Protocol), documento com uma série de regras básicas para a transmissão e recepção de dados que visavam a unificar a linguagem de todos os sistemas conectados. Esse protocolo torna possível a interação e permite à rede tolerar a diversidade com mais vigor, possibilitando seu crescimento. Para garantir a confiabilidade da transmissão, não se depende mais do hardware, mas do software (em que as instruções podem ser modificadas com facilidade pelo programador), que se torna condição do funcionamento da rede, tornando-a mais mutável e ilimitando seu crescimento.
Ainda que uma invenção descentralizada, o TCP/IP representa a única decisão centralizada da rede. Sua adoção foi fruto da pressão dos militares, dada a resistência passiva inicial.
A Universidade de Stanford instala experimentalmente a TelNet, a primeira versão que permitia alguns tipos de comércio na Arpanet, para assuntos fora do círculo científico.
1975
Ed Roberts cria o Altair, o primeiro microcomputador resultante da junção do computador com o microprocessador.
O Altair foi a base para o design do Apple I e, posteriormente, do Apple II.
1976
Bill Gates e Paul Allen dão início a uma indústria de softwares para sistemas operacionais de microcomputadores, a Microsoft.
Lançada com três sócios e um capital de US$91 mil, a Apple Computers alcançou em 1982 a marca de US$ 583 milhões em vendas, anunciando a era da difusão do computador.
Deleuze e Guattari publicam o artigo "Rizoma", em que apresentam o conceito de sistema acentrado definidos a partir de seis princípios: conexão, heterogeneidade, multiplicicdade, ruptura asignificantes, cartografia e decalcomania. Um dos inspiradores deste texto é o trabalho de Pierre Rosensthiel, autor de uma resposta para o problema do pelotão de fuzilamento. A rede conquista estatuto filosófico, se opondo à idéia de centro e seus correlatos, ordem , unidade, uniformidade, lei, determinismo, repetição. A rede passa a significar então fragmentação, caos, multiplicidade, polimorfismo, acaso e invenção. Em uma palavra, liberdade. Cabe lembrar que este trabalho de Deleuze serviu de inspiração teórica para múltiplas análises elogiosas da rede e do hipertexto.
Whitfield Diffie, Martin Hellman e Ralph Merkle criaram a idéia da chave pública, uma proposta de solução para o problema da distribuição da chave colocado desde sempre pela criptografia. A criptografia funciona segundo o princípio de substituição e transposição, em que ou elementos da mensagem são substituídos por outros, ou suas posições são alteradas, ou ambos. Tal substituição é feita a partir de uma chave acordada entre remetente e destinatário. O número de chaves possíveis é um dos aspectos cruciais que determinam a força de qualquer cifra. O problema reside na distribuição desta chave, posto que antes de duas pessoas poderem trocar um segredo (uma mensagem encodificada), elas precisam compartilhar de antemão um segredo (a chave). A idéia de uma chave pública só pode surgir numa cultura em que o conceito de rede e sua implementação estão se desenvolvendo.
Nasce a idéia da chave pública, que incorporava às técnicas de criptografia a chamada chave assimétrica, fácil de fazer, difícil de reverter (as chaves de encodificar e decodificar eram diferentes: a de decodificar era privada, mas a de encodificar era pública, de modo que todos tinham acesso a ela). Embora todos a conheçam, ninguém poderá decifrar nenhuma mensagem encodificada a partir da chave pública, uma vez que só o receptor terá a chave privada, que permite finalmente decifrar a mensagem.
1977
Introdução no mercado do primeiro microcomputador de sucesso comercial, o Apple II, projetado pelos jovens Steve Wozniac e Steve Jobs, na garagem da casa de seus pais.
Ronald Rivest, Adi Shamir e Leonard Adleman, pesquisadores do Laboratório de Ciência da Computação do MIT, descobriram a função matemática necessária para tornar as cifras assimétricas (1976) uma invenção prática, uma função irreversível que só podia ser lida em situações excepcionais. Numa analogia a um cadeado: fechar um cadeado é uma função irreversível, visto que é difícil abrir um cadeado a menos que se tenha algo especial (a chave), caso em que a função é facilmente revertida.
Para ilustrar esta função, podemos pensar em N como a chave pública, a informação disponível para todos, e em p e q, que correspondem à chave privada. N = p X q, sendo que p e q são números primos (são divisíveis apenas por eles próprios e por 1). Quanto maiores os valores de p e q, maior é o grau de segurança da mensagem, uma vez que maior é o tempo necessário para que uma máquina decomponha o produto p X q. Para encodificar uma mensagem hoje, é usado um valor de N tão grande que todos os computadores do planeta precisariam de um tempo superior à idade do universo para quebrar a cifra. Merece destaque a luta do governo americano para limitar o número de chaves por mensagem, que equivale ao número de bits. A Agência Nacional de Segurança (NSA) decretou uma versão oficial, a DES (Padrão de Encodificação de Informação), que prevê 56 bits.
1978
Surge o primeiro sistema de troca de mensagens entre usuários por meio de um modem: o BBS (Bulletin Board System).
1979
É criada a USENET (Unix User Network), com o objetivo de distribuir informações a usuários do sistema Unix.
Roy Trubshaw desenvolve o primeiro MUD (Multi-User Dimension), ambiente que permite a usuários distantes na Internet compartilhar o mesmo espaço virtual em que podem conversar (digitando palavras) em tempo real. Sua extensibilidade permite aos usuários alterá-lo.
1981
A IBM introduziu no mercado sua versão do microcomputador: o PC (Personal Computer).
O governo americano, através da National Science Foundation, criou a sua própria rede: a NSFnet, para ser usada por escolas e universidades que não tivessem acesso à Arpanet.
A Universidade de Nova Iorque desenvolveu a Bitnet só para cientistas que tivessem computadores IBM.
1982
Emergência das redes locais (LANS - Local Area Networks), que interligavam computadores em uma área restrita, possível graças à invenção da Ethernet (padrão de transmissão física para comunicação em freqüência de rádio digital através de redes de fios de cobre).
As várias nets espalhadas pelo mundo acabaram por aderir, dado o risco de se isolar dos demais usuários.
A Arpanet divulgou oficialmente que passaria a usar exclusivamente em suas comunicações o IP (Protocolo Internet), desenvolvido em 1974.
1983
A palavra Protocolo de "Protocolo Internet" foi abolida e a rede passou a chamar, simplesmente, Internet.
1984
Lançamento do Macintosh da Apple, o primeiro passo rumo aos computadores de fácil utilização, com a introdução da tecnologia baseada em ícones e interfaces com o usuário, desenvolvida originalmente em 1970 pelo Centro de Pesquisas Palo Alto da Xerox. A Internet ainda é uma rede usada somente para fins científicos, restrita, portanto, ao círculo acadêmico. Mas o número de computadores ligados a ela era já era superior a 1.000. O número de e-mails pessoais também já superava as expectativas mais otimistas.
William Gibson cria, no livro "Neuromancer", o termo ciberespaço, e assim o define: "Ciberespaço. Uma alucinação consensual experimentada diariamente por bilhões de operadores legitimados, em cada nação, por crianças atrás de conceitos matemáticos ensinados... Uma representação gráfica de informação abstraída dos bancos de cada computador no sistema humano. Complexidade impensável. Linhas de luz vagueando no não espaço da mente, cachos e constelações de informação. Como luzes da cidade, recuando.".
IV. Internet e Liberdade
1986
Mudança de status de rede estatal para rede independente, quando a National Science Foundation passou a ser responsável pela Arpanet e começou uma campanha deincentivo à participação de outras universidades americanas no sistema.
O fim da administração militar está também articulado ao barateamento do micro computador pessoal,pois implicava problemas adicionais de segurança. Foi em virtude desses temores que criaram a Milnet (1982), uma rede separada; abdicar do controle torna-se mais fácil.
A Universidade de Cleveland cria a FREENET, a primeira rede de acesso público e livre à Intenet.
1987
A Arpanet conta com 1.000.000 de usuários.
1988
França, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia entram na Internet.

O primeiro vírus atacou. Autor: Robert Morris Jr., estudante de computação da Universidade de Cornell. Efeito: 10% de todo o sistema foi destruído.
A partir desse momento, o termo hacker irá paulatinamente ganhar a conotação do criminoso que ataca sistemas de computador.
Timothy C. May escreve o Manifesto Cripto-Anarquista: “Um espectro está assombrando o mundo moderno, o espectro da cripto-anarquia. A tecnologia de computação está prestes a dar a indivíduos e grupos a capacidade de comunicar e interagir de um modo totalmente anônimo... O Estado, é claro, tentará desacelerar ou deter a difusão desta tecnologia, citando preocupações de segurança nacional, seu uso por traficantes de drogas ou sonegadores de impostos e temores de desintegração social... Mas isso não deterá a difusão da cripto-anarquia. Assim como a tecnologia da imprensa alterou e reduziu o poder das guildas medievais e a estrutura de poder social, do mesmo modo os métodos de criptografia alterarão fundamentalmente a natureza das corporações e a interferência governamental nas transações econômicas... Esta descoberta aparentemente menor, saída de um ramo arcano da matemática, virá a ser os alicates que desmantelarão o arame farpado erguido em torno da propriedade intelectual. Levantem-se; vocês não têm nada a perder a não ser suas cercas de arame farpado”.
1989
Austrália, Alemanha, Israel, Itália, Japão, México, Holanda, Nova Zelândia, Porto Rico e Reino Unido entram na Internet
"Fruto da fusão de duas publicações anteriores, a High Frontiers (""um jornal de ciência psicodélica, potencial humano, irreverência e arte moderna"") e a Reality Hackers, é fundada a Mondo 2000, tendo William Gibson e Timothy Leary como seus gurus. Trata-se de uma revista com a seguinte proposta: “Mondo 2000 está aqui para cobrir a vanguarda em hipercultura. Nós traremos para você as novidades nas formas de mutação interativas entre o humano e o tecnológico.
Estamos falando Cyber-Chautauqua: trazendo a cibercultura para as pessoas! Módulos de conhecimento artificiais. Música visual. Tecnologias. A Matrix do ciberespaço de William Gibson – plenamente concretizada!
As antigas elites de informação estão morrendo. As crianças estão no controle.
Esta revista é sobre o que fazer até que o novo milênio venha. Estamos falando sobre possibilidades totais. Avanços radicais nos limites da biologia, gravidade e tempo. O fim da escassez artificial. O surgimento de um novo humanismo. Tecnologia para o poder individual, diversão e jogos. Tornando a felicidade máxima nosso estado de consciência normal.”.
"
1990
A Arpanet é desplugada. Vinton Cerf registrou sua tristeza no “Funeral para a Arpanet”, que assim termina:

“Foi a primeira e, como tal, foi melhor,
mas agora a assentamos para sempre.
Agora pare comigo um minuto, derrame algumas lágrimas.
Pelo passado distante, por amor, por anos e anos
De trabalho fiel, dever cumprido, eu choro.
Renuncie teu pacote, agora, O amiga, e durma.”.
Tim Berners-Lee declara, em seu ""World Wide Web: Proposal for a HyperText Project"": ""as incompatibilidades atuais das plataformas e ferramentas tornam impossível o acesso à informação existente através de uma interface comum, o que leva à perda de tempo, frustração e respostas obsoletas para perguntas simples. Existe um enorme benefício potencial na integração de uma variedade de sistemas que permita ao usuário seguir links que conduzam de uma informação a outra"".
O uso social do conceito de rede enfatiza a transgressão de fronteiras, a abertura de conexões, a multiplicidade, a flexibilidade, a transparência e o acesso de todos à informação. Rede como símbolo do ilimitado, por sua ausência de centro e de margem. Na ciência, por sua vez, a rede torna-se o arquétipo de tudo o que é interdependente e complexo.
Argentina, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, Grécia, Índia, Coréia do Sul, Espanha e Suíça entram na Internet.
Havia 250 redes fora dos EUA em funcionamento, equivalendo a mais de 20% do total.
O custo médio do processamento da informação caiu de aproximandamente US$ 75 por cada milhão de operações, em 1960, para menos de US$ 0,0001 em 1990.
1991
Tim Berners-Lee cria uma linguagem chamada HTML (HyperText Markup Language), um conjunto de instruções que permite a criação do hipertexto. Trata-se de um modo uniforme de representar informações. Igualmente, um único endereço foi designado para qualquer informação disponível na Internet, um URL (Universal Resource Locator). Para ligar e transportar essa informação, foi criado um conjunto de convenções chamado HTTP (HyperText Transport Protocol).
O sucesso da Era da Informação depende da habilidade de se proteger a informação que flui pelo mundo, o que depende, por sua vez, do poder da criptografia. Na guerra pela privacidade, tem-se de um lado o governo e, do outro, o indivíduo comum. O papel da criptografia será decidido pelos governantes que nós elegermos e pelos interesses das empresas.
Phil Zimmermann lança o PGP, um software gratuito que visava a disponibilizar o sistema de criptografia de chave pública para todos. Pouco tempo antes, uma das cláusulas da lei anti-crime decretada pelo Congresso Americano dizia que os sistemas de comunicação deveriam permitir ao governo obter todo o conteúdo de voz e informação. Em função disso, Zimmermann foi sujeito a uma séria investigação, tendo sido inclusive perseguido pelo FBI.
1992
O comércio entra oficialmente na WWW. É criado o .com.
1993
Mosaic: primeiro web browser popular criado por uma equipe liderado por Marc Andreessen no National Center for Super Computing Applications (NCSA).
Permitindo o acesso à rede através do mouse, o Mosaic representa o fim do uso dos códigos de programação, facilitando o acesso a qualquer usuário não habituado com linguagens de programação.
Havia 62 servidores WEB.
1994
É lançado o Netscape, a versão comercial do Mosaic. Mais veloz, com interface mais simples e incluindo mecanismos de criptografia para permitir transações comerciais, foi um sucesso imediato.

Surgimento dos mecanismos de busca. Os mecanismos de busca tornam a Internet acessível a consumidores e criam um tráfego confiável: não é mais necessário saber que informação se procura e onde ela está; pode-se começar a busca por informação de um ponto central e então ramificar.

O Brasil registra a existência de 20 jornais on-line.

Havia 1.248 servidores WEB.
Os mecanismos de busca são empreendimentos comerciais com forte atração para investidores porque ajudam a direcionar o tráfego na Internet e aumentam o potencial para traçar perfis de usuários. À medida que permite conhecer uma audiência (a partir de arquivos chamados cookies), gera oportunidades de publicidade, o que permite que o conteúdo seja dado de graça aos usuários, posto que pago por anunciantes.
1995
Havia 22.000 redes fora dos EUA em funcionamento, significando mais de 40%.
Michael Hauben cria o termo netizen, que define o "cidadão da rede".
1996
John Perry Barlow escreve "A Declaration of the Independece of Cyberspace", em que define o ciberespaço como "o novo lar da mente" e critica as tentativas dos órgãos do governo tradicional de regular a Internet. "Governos do mundo industrializado, vocês não passam de gigantes de carne e aço. Em nome do futuro, eu peço a vocês do passado para nos deixar em paz. Vocês não são bem-vindos entre nós. Não têm nenhuma soberania onde nos encontramos. (...) Estamos criando um mundo onde todos podem entrar sem privilégio ou preconceito gerado por raça, poder econômico, força militar ou lugar de nascimento. Estamos criando um mundo onde qualquer um, em qualquer lugar, pode expressar suas crenças, não importa o quão singular sejam, sem temor de ser coagido ao silêncio ou à conformidade.".
V. A Internet e o Comércio
1997
O número de jornais on-line no Brasil já chega a 4.925.
Tim Berners-Lee lista os resultados da Web: poder ao indivíduo; eficiência social, compreensão e harmonia; exploração do poder da computação na vida real.
Começa a discussão acerca do excesso de informação, gerado em função da a redução brutal dos custos e das dificuldades de produzir e distribuir informações à distância, dando a cada indivíduo a possibilidade de ser o mediador – que produz e divulga para muitos – do seu próprio acontecimento. Por essa facilidade e pela ausência de centralização na produção e distribuição de informações, cresce a quantidade de informações interessantes disponíveis para cada um de nós; cresce, também, em simultâneo, a dificuldade de cada indivíduo em encontra-las. O excesso de informação traz um limite no espaço ilimitado da rede; de um lado, ele se manifesta, como a aceleração do ritmo de vida de quem está conectado, obrigado a processar muito mais informações do que anteriormente; de outro lado, ele se manifesta como o tempo disponível de cada indivíduo para encontrar e processar a informação que se deseja. A rede é certamente a proximidade tecnológica de todos com todos; quem está on-line, está sempre, potencialmente, à distância de um mero clic do mouse da informação desejada.
Pelo excesso de informação, a rede será caracterizada pela distância cognitiva de todos com todos. Daí também o ressurgimento da necessidade de mediação e também de sua importância, pois o mediador pode ser aquele que nos permite encontrar o raro e maravilhoso, alterando nossa paisagem mental e permitindo a construção de comunidades, ou pode ser aquele que simplifica a viagem aprisionando o indivíduo no interior de seus interesses.
1998
Surgimento dos portais, com a idéia de que todas as viagens na Internet começassem por ele. O portal quer ser todas as coisas para todas as pessoas: fornece tudo e permite a personalização. Para atrair e aumentar a atenção, de modo a manter o serviço gratuito e ampliar a receita de publicidade, oferece informação (notícias), comunicação (chat e e-mail), compras (link para varejo e leilão), webpage e jogos on-line.
"Ascensão vertiginosa dos valores das ações dos mecanismos de busca.
O portal materializa a idéia de uma Internet em miniatura simplificada e acessível. Situando-se usualmente no início das viagens de um internauta, pretende ora ser necessário para a continuação da viagem, ora ser o próprio fim. Por isso, pretendem ao estatuto de portal mecanismos de busca (ex.: Yahoo), provedores de acesso (ex.: AOL) e produtores de conteúdo em mídias tradicionais (ex.: UOL). Sua essência reside na distribuição da informação, e não na sua produção. A questão é coletar muito e distribuir de modo eficiente para os indivíduos segundo suas preferências.
"
1999
Napster: um exemplo de arquitetura peer-to-peer, permitindo que computadores troquem diretamente informações, no caso arquivos de músico em formato MP3.
Lawrence Lessig lança "Code and other laws of cyberspace", em que afirma que "a Internet já está fortemente regulamentada; ela foi formatada não por meio de decretos, mas de códigos - pelos bits e bytes que constituem a espinha dorsal do mundo digital.(...) Uma legião de empresas vem transformando o ciberespaço no paraíso dos marqueteiros em detrimento de todas as formas de comunicação que não dispõem de um potencial gerador de receitas tão evidente". Ele resume esse paradigma pessimista numa visão ameaçadora e provável: "um futuro de controle em grande parte exercido por tecnologias de comércio e sustentadas pela força da lei".
2000
Segundo algumas estimativas, o fluxo de arquivos MP3 supera o de mensagens ligadas à pornografia e ao sexo.
Expansão da Internet faz explodir demanda por novos sistemas de codificação para não colocar em risco o uso de e-mails e compras na rede. A questão da propriedade intelectual também surge com força.
2001
O Napster foi derrotado nos tribunais pela indústria fonográfica.
o que está em jogo
Como está a Internet no Brasil?
Segundo diversas pesquisas publicadas nos cadernos especializados de jornais, a adesão à Internet (entendida não apenas como aumento de usuários, mas também como transição para o mundo on-line de diversas atividades) cresce explosivamente, tal como mostra a evolução do número de domínios .br (em milhares) desde 1995: 0,8 (95); 20 (96); 77 ( 97); 117 (98); 215 (jan/99); 310 (jul/99); 446 (jan/00) e 663 (jul/00). Cabe lembrar, contudo, que apenas 1,4% das webpages na Internet estão em português.
A situação atual da infra-estrutura e do número de usuários pode ser assim sumarizada: 250 provedores de acesso (00); a penetração de PCs na população é de 4 a 8%, dependendo da fonte; e na estimativa mais otimista, haveria 11,6 milhões de usuários (01), numa população de 175 milhões (01)."
Arquitetura descentralizada do peer to peer, cujo exemplo conhecido é o Napster, que reforça a interatividade da rede; os esforços de centralização levados a cabo pelos portais e provedores; o retorno da rede como acesso remoto a recursos na esteira do propriedade intelectual (o sonho da Microsoft: seus softwares não estarão mais nos computadores, mas serão acessados remotamente); o ativismo em torno dos softwares de código aberto; a batalha pela privacidade das informações, em que os adversário são, de um lado, o comércio eletrônico e as empresas de publicidade e, de outro, os indivíduos que temem que o rastreamento de suas ações na rede permita a identificação e previsão de seus comportamentos; a batalha pela propriedade intelectual, e a oposição com a idéia da rede com espaço público, em que a informação é livre e pode ser acessada por qualquer um; o desenvolvimento das técnicas de criptografia, que interessam paradoxalmente tanto o comércio quanto aqueles que não querem que suas ações sejam rastreadas, mas que o Estado teme. O futuro está em aberto.
Os usuários da Internet no Brasil são, na sua maioria, homens (57%), jovens (50% dos usuários têm 18-34 anos), com pouca experiência on-line (55% têm até 2 anos de experiência), ricos (80% pertencentes às classes A e B) e habitantes das grandes metrópoles brasileiras (43% dos usuários estão concentrados nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro). O potencial democratizador da Internet encontra, no Brasil, um obstáculo na simultaneidade entre a concentração de renda e o mercado consumidor elitizado, já de tamanho suficiente (afinal, os 20% mais ricos já representam 35 milhões de consumidores).