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I.
Condições
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Arquitetura
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Cibercultura
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| 1945 |
Vannevar Bush formaliza a idéia de hipertexto em seu "As we may think". Bush previu a possibilidade de juntar registros pessoais e públicos através de anotações com o valor de inscrição da informação e os vários caminhos criados pelos usuários. |
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| 1946 |
Mauchly e Eckert desenvolveram o primeiro computador para uso geral, o ENIAC (computador e integrador numérico eletrônico). Ele pesava 30 toneladas, foi construído sobre estruturas metálicas com 2,75 m de altura, tinha 70 mil transistores e 18 mil válvulas a vácuo e ocupava a área de um ginásio esportivo. Quando ele foi acionado, seu consumo de energia foi tão alto que as luzes de Filadélfia piscaram. |
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| 1947 |
O transistor é inventado na empresa Bell Laboratories. Possibilitou o processamento de impulsos elétricos em velocidade rápida e em modo binário de interrupção e amplificação, permitindo a codificação da lógica e da comunicação com e entre as máquinas: estes dispositivos têm o nome de semicondutores, mas também são chamados de chips (na verdade, agora constituídos de milhões de transistores). O transistor desempenha a mesma função que uma válvula – deixar ou não deixar passar uma corrente elétrica –, mas ocupando um espaço muitas vezes menor. |
Em
função do transistor, o tamanho dos
computadores foi reduzido
rapidamente.
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| 1957 |
A ARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada) é criada para assegurar a superioridade americana frente aos russos em plena Guerra Fria. O passo decisivo da microeletrônica foi dado: o circuito integrado foi inventado por Jack Kilby. Essa iniciativa acionou uma explosão tecnológica. Entre 1959 e 1962, os preços dos semicondutores caíram 85%, e nos dez anos seguintes a produção aumentou vinte vezes, sendo que 50% dela foi destinada a usos militares. |
Vive-se
o auge da corrida espacial e da Guerra Fria, a batalha
ideológica
e psicológica que os Estados Unidos e a União
Soviética
(as duas superpotências mundiais) vinham travando. A União
Soviética estava na liderança da corrida espacial desde
outubro, quando colocou em órbita o Sputnik, o primeiro
artefato produzido pela humanidade a escapar da força
da gravidade
da Terra. Antes mesmo de os americanos reagirem ao Sputnik 1,
a União
Soviética atacou novamente: um mês depois, a
bordo do Sputnik
2, a cadela Laika se transformou no primeiro ser vivo a enxergar
o globo terrestre rodando solto na imensidão. A contra-ofensiva
dos Estados Unidos se dividia em duas promessas: a primeira era colocar
um americano na Lua até o fim da década e trazê-lo
ileso de volta à Terra; a segunda, feita neste mesmo
ano, era construir
um sistema de defesa à prova de
destruição (criou-se
a ARPA). Os americanos desconfiavam que os russos poderiam
estar arquitetando
um plano maligno de disparar morteiros contra os EUA.
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II.
Formulação Teórica da Rede
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| 1960 |
A
AT&T desenvolveu o Dataphone, que, assim
como os modems
de hoje, transformavam dados digitais em sinais
analógicos, transmitiam
esses sinais por cabos telefônicos e depois reconstituiam-nos no
formato digital original. O maior problema era o tempo: demorava cerca
de 4 minutos para transferir uma página de texto.
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A
palavra rede era raramente usada para se referir à sociedade e,
quando o era, tinha um sentido negativo. No comportamento
humano, a rede
indicava o que prendia ou limitava, como "cair nas
malhas da rede".
Um outro sentido designava associações secretas
e que operavam
em oposição às regras públicas de
justiça,
como rede de criminosos. No sentido técnico, a rede
designava canais
fixos de circulação de algum fluxo, como
energia, informação,
água e esgoto. Será o desenvolvimento da Internet que nos
habituará à relação do conceito de rede com
os de espaço público, ilimitado e liberdade.
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Comutação por pacote: método para transmitir dados
através de uma rede. A técnica foi inventada
independentemente
por dois cientistas da computação: Paul
Baran (EUA)
e Donald Davies (Inglaterra). Baran idealizou a
comutação
por pacote na RAND Corporation
(corporação não-lucrativa
dedicada à pesquisa em estratégia militar e tecnologia)
no início da década de 60; Davies desenvolveu
sua concepção
alguns anos mais tarde.
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Os grandes projetos de computação eram financiados pelo
Estado, o que tornava sua formulação e
implementação
sensíveis ao que o contexto de cada país
definia como estratégia
adequada. Na Inglaterra, o projeto de uma rede de computadores visava
reduzir um atraso tecnológico por facilitar o acesso ao poder de
computação. Nos EUA, a finalidade da
comutação
por pacote era a de criar um sistema de trocas de
informaçào
que sobrevivesse a um ataque nuclear, funcionando no interior
da política
de dissuasão.
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|
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Para evitar que os EUA perdessem controle sobre seu arsenal de bombas
e mísseis em caso de um ataque nuclear (Guerra Fria) e
para garantir
a sobrevivência e a eficiência dos sistemas de
comunicação,
Paul Baran propôs um sistema de transmissão de mensagens
ponto a ponto rápido, a partir de computadores de
comutação
pequenos, baratos e sem grande capacidade de memória.
Idéias
como redundância, partilha de recursos, automação
do roteamento e padronização do tamanho do pacote foram
decisivas para o sucesso da proposta. Os conceitos-chave do
sistema eram
flexibilidade, descentralização e automação
da inteligência e da decisão, tolerência
à diversidade
e robustez - em detrimento da comutação
hierárquica
e centralizada de mensagens no sistema telefônico
até então
vigente.
|
Da
necessidade de partilhar o poder de processamento do computador, emerge
a ética Hacker, que valorizava feitos de
programação
(como escrever um programa com o menor número de
linhas de código
possível), que deveriam ser livremente distribuídos. Eis
os seus princípios segundo uma
sistematização feita
na década de 80: "o acesso a computadores e a
qualquer coisa
que possa ensinar sobre como o mundo funciona deve ser
ilimitado e total";
"toda informação quer ser livre"; "promova
descentralização"; "desconfie da
autoridade";
"renda-se ao imperativo do trabalho";
"faça você
mesmo"; "contrarie o poder"; "alimente o barulho do
sistema"; "navegue". O sentido original do termo Hacker
é, portanto, o de programadores entusiasmados que compartilham
seus trabalhos com outros, e não criminosos que atacam sistemas
de computador.
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|
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O
desenvolvimento dos computadores implicou o surgimento dos mainframes
com diversos terminais e a proposta de
computação em tempo
real, aproveitando-se da distinção entre o
tempo da máquina
e o tempo do usuário. A comutação em
tempo real modificava
a prática do batch-processing, em que o trabalho de
programação
era tediosos por ter que perfurar cartão, entregar o
programa para
um funcionário, entrar na fila e esperar o resultado e repetir
o processo para corrigir erros. Os terminais aproximaram o
homem da máquina
por permitir a programação em tempo real.
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| 1962 |
À
medida que a tecnologia de fabricação dos
circuitos integrados
progredia e conseguia melhorar o design dos chips com o auxílio
dos microcomputadores mais rápidos e avançados,
o preço
médio de um circuito integrado caiu de US$50 em 1962 para US$1
em 1971.
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John
Licklider, cientista do MIT, publicou trabalhos em que
mostrava a viabilidade
da criação de uma "Rede Galáctica": um
grande número de computadores ligados entre si e que
poderiam ser
acessados por qualquer pessoa, mas sem atrapalhar quem
estivesse operando
o computador do outro lado da linha.
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| 1965 |
Ted
Nelson cria o termo que é o conceito-chave de toda a
rede: hipertexto,
que usa o sistema de links. Deste modo, a conexão entre
informações não é organizada
hierarquicamente
e de modo linear. O link visaria a dar dinamismo à
busca de informações.
Um texto em hipertexto não tem margem nem define, na
sua materialidade,
uma totalidade, como o fazem o livro e o jornal. Os limites
da compreensão
são dados pela curiosidade do leitor.
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| 1967 |
Leonard
Roberts publicou os resultados de anos de pesquisa na ARPA. O
"Plano
para a Arpanet" e sua repercussão permitiram à
ARPA constatar que outros pesquisadores independentes estavam chegando
a conclusões e resultados semelhantes aos da ARPA.
|
Pela
automatização e localização da
inteligência
e da decisão,torna-se possível pensar o
conceito de sistema
acentrado, cujos componentes possuem apenas uma percepção
e ação locais e mesmo assim o sistema é
suscetível
de perfomaces globais. O exemplo mais conhecido da
aplicação
do conceito de rede à teoria dos sistemas é o problema do
pelotão de fuzilamento: como os diverosos autômatos podem
sincronizar suas ações sem que haja uma instância
central, um general ordenando "fogo!". Esse
problema já
era conhecido dos cientistas de computação como
Marvin Minsky.
Essa intuição da rede marcará a teoria
da complexidade
na década de 80.
|
| 1968 |
Douglas
Engelbart desenvolveu o primeiro sistema de hipertexto que funcionava.
Também inventou a interface gráfica e o
mouse.
|
Os
movimento de maio de 68 convidavam a explorar os limites de
nossa sensibilidade
corporal e de nossa consciência; criticavam a rotina, a
família
e a carreira, isto é, uma vida tediosa e planejada, como dizia
o conhecido slogan "métro-boulot-dodo"
(metrô-trabalho-sono).
Todas essas críticas rejeitavam o modelo do homem
ocidental branco.
Declaravam estreita a concepção de sujeito que
então
vigorava. Trata-se aqui do direito à diferença, do futuro
como diferente do presente, do outro como convite e
inquietação,
da possibilidade de ser diferente de si mesmo. Estes
movimentos, portanto,
opunham-se ao futuro e à consciência como
centros. O conceito
de rede, pelo seu acentramento, será usado pelos teóricos
de 68.
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III.
Implementação da Rede
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| 1969 |
Uma
linha telefônica exclusiva e adaptada à
velocidade requerida
pelo sistema permitiu que os modems de 2 computadores remotos pudessem
se comunicar diretamente e transmitir dados com a rapidez
necessária.
O resultado foi a Arpanet.
|
Em
julho, Neil Armstrong pisou na Lua, cumprindo a primeira promessa feita
pelos EUA para fazer frente à liderança da União
Soviética na corrida espacial.
|
| 1970 |
A
Xerox lança o protótipo de uma máquina
portátil
desenvolvida para pertencer a um único
indivíduo. Além
de revolucionário para uma época em que os computadores
eram enormes, caros e pesados, o Alto, como foi batizado, apresentava
as seguintes características:
|
De
uma só vez, a Xerox havia antecipado toda a
revolução
das décadas seguintes, construindo o micro
pessoal e antevendo
a Internet atual.
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|
_
para que o usuário de um Alto não tivesse que decorar e
digitar milhares de instruções, os cientistas
criaram pequenos
desenhos que ficavam na tela, através dos quais era
possível
abrir os programas. Eram os ícones, sem os quais 99% de
nós não saberíamos como operar um
micro;
|
À
medida que confere ao usuário a possibilidade de ele
próprio
mover as coisas na tela, o mouse inaugura uma ilusão
de presença.
É a imersão.
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|
|
_
para abrir ícones, foi usado um pequeno aparelho
conectado ao micro.
Ao movê-lo, o usuário via um pontinho caminhar
na tela, reproduzindo
o movimento feito com a mão. Era o mouse,
permitindo a manipulação
direta.
|
O
computador pessoal abrirá caminho para sua
transformação:
computador como tecnologia de comunicação; acumula
e conecta; faz suporte e transporte de
informação; concentração
e depósito de tudo - viável pelo fato de toda a
informação
poder ser representada por números.
|
|
|
_
em vez de fazer os caracteres aparecerem já formados na tela, o
sistema construía cada um deles, a partir de milhões de
pontos isolados (os pixels), um processo chamado de
bit mapping,
que é a base de qualquer sistema gráfico.
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| 1971 |
O
microprocessador foi inventado por Ted Hoff. O microchip
é uma placa minúscula à base de silício com
uma série de transistores. Na prática, é
um computador
em um único chip. Sua invenção permitiu
que a capacidade
de processar informação pudesse ser instalada em todos os
lugares. Começava a disputa pela capacidade de
integração
cada vez maior dos circuitos contidos em apenas um chip, e a tecnologia
de produção e design sempre excedia os limites
da integração
antes considerada fisicamente impossível sem abandonar o uso do
silício.
|
Dois
anos depois de ter sido criada, a Arpanet já tinha 23
grandes computadores
conectados e interligados, transferindo informações uns
para os outros.
|
| 1972 |
A
Arpanet foi apresentada ao público em geral no 1o.
Congresso Internacional
de Computadores e Comunicação, em Washington,
através
de uma demonstração prática que
interligava 40 computadores
em pontos diferentes do território americano.
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|
|
E-mail:
programa apresentado por Ray Tomlinson que permitia o envio de
mensagens individuais, de pessoa para pessoa, multiplicando caminhos e
abrindo conexões antes inexistentes. Prova de que os
usuários
desempenharam papel ativo na transformação da
rede, o e-mail
traz uma série de vantagens: é
instantâneo e assíncrono;
dota o indivíduo da capacidade de enviar a mesma
mensagem para
vários; permite o mailing list
(mecanismo todos/todos);
permite a criação de uma comunidade de interesses
(proximidade espacial e social não mais determinantes
para reunir
pessoas).
|
O
e-mail promove uma mudança do sentido e da topologia
da rede. Tal
como implementada, a Arpanet visava a permitir o acesso remoto ao poder
de processamento de computadores espalhados. Neste sentido, a
rede significava
um melhor modo de se distribuir um recurso escasso. Todos os
computadores
tornam-se um único grande computador acessado de qualquer lugar.
Graças ao e-mail, a rede passa a ser vista como
meio de comunicação.
Torna-se dinâmica (novas informações sempre
estarão surgindo), mutável, capaz de aproximar
pessoas, permitindo a livre expressão e a troca de
idéias. Rede como espaço público?
|
|
| 1974 |
Alohanet
(comutação por pacotes feita por rádio)
e Satnet
(rede por satélite) são exemplos de redes que
estavam sendo
desenvolvidas paralelamente à Arpanet. É
necessário
destacar a importância do desenvolvimento de redes
paralelas e locais
para o crescimento da Internet, que ocorreu pela periferia.
Esse crescimento
só foi possível graças ao TCP/IP, que
cria uma interface
comum, permitindo a conexão de todas essas redes.
|
O
desenvolvimento da Alohanet e da Satnet engendrará a
preocupação
com um protocolo comum (ou Internet - entre redes) para as
diversas redes.
|
|
Bob
Kahn e Vinton Cerf apresentam o TCP/IP (Transmission
Control Protocol/ Internet Protocol), documento com uma série de
regras básicas para a transmissão e
recepção
de dados que visavam a unificar a linguagem de todos os
sistemas conectados.
Esse protocolo torna possível a
interação e permite
à rede tolerar a diversidade com mais vigor, possibilitando seu
crescimento. Para garantir a confiabilidade da
transmissão, não
se depende mais do hardware, mas do software (em que
as instruções
podem ser modificadas com facilidade pelo programador), que
se torna condição
do funcionamento da rede, tornando-a mais mutável e ilimitando
seu crescimento.
|
Ainda
que uma invenção descentralizada, o TCP/IP representa a
única decisão centralizada da rede. Sua
adoção
foi fruto da pressão dos militares, dada a
resistência passiva
inicial.
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|
|
A
Universidade de Stanford instala experimentalmente a TelNet, a
primeira versão que permitia alguns tipos de comércio na
Arpanet, para assuntos fora do círculo
científico.
|
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| 1975 |
Ed
Roberts cria o Altair, o primeiro microcomputador resultante
da junção do computador com o
microprocessador.
|
O
Altair foi a base para o design do Apple I e, posteriormente, do Apple
II.
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| 1976 |
Bill
Gates e Paul Allen dão início a uma
indústria
de softwares para sistemas operacionais de microcomputadores,
a Microsoft.
Lançada com três sócios e um capital de US$91 mil, a Apple Computers alcançou em 1982 a marca de US$ 583 milhões em vendas, anunciando a era da difusão do computador. |
Deleuze
e Guattari publicam o artigo "Rizoma", em que
apresentam o conceito
de sistema acentrado definidos a partir de seis
princípios: conexão,
heterogeneidade, multiplicicdade, ruptura asignificantes, cartografia
e decalcomania. Um dos inspiradores deste texto é o trabalho de
Pierre Rosensthiel, autor de uma resposta para o problema do
pelotão
de fuzilamento. A rede conquista estatuto filosófico, se opondo
à idéia de centro e seus correlatos, ordem ,
unidade, uniformidade,
lei, determinismo, repetição. A rede passa a significar
então fragmentação, caos,
multiplicidade, polimorfismo,
acaso e invenção. Em uma palavra, liberdade. Cabe lembrar
que este trabalho de Deleuze serviu de
inspiração teórica
para múltiplas análises elogiosas da rede e do
hipertexto.
|
|
Whitfield
Diffie, Martin Hellman e Ralph Merkle criaram a
idéia da chave
pública, uma proposta de solução
para o problema
da distribuição da chave colocado desde sempre
pela criptografia.
A criptografia funciona segundo o princípio de
substituição
e transposição, em que ou elementos da mensagem
são
substituídos por outros, ou suas
posições são
alteradas, ou ambos. Tal substituição é
feita a partir
de uma chave acordada entre remetente e destinatário.
O número
de chaves possíveis é um dos aspectos cruciais
que determinam
a força de qualquer cifra. O problema reside na
distribuição
desta chave, posto que antes de duas pessoas poderem trocar um segredo
(uma mensagem encodificada), elas precisam compartilhar de
antemão
um segredo (a chave). A idéia de uma chave
pública só
pode surgir numa cultura em que o conceito de rede e sua
implementação
estão se desenvolvendo.
|
Nasce
a idéia da chave pública, que incorporava
às técnicas
de criptografia a chamada chave assimétrica, fácil
de fazer, difícil de reverter (as chaves de
encodificar e decodificar
eram diferentes: a de decodificar era privada, mas a de encodificar era
pública, de modo que todos tinham acesso a ela). Embora todos a
conheçam, ninguém poderá decifrar nenhuma mensagem
encodificada a partir da chave pública, uma vez que só o
receptor terá a chave privada, que permite finalmente decifrar
a mensagem.
|
|
| 1977 |
Introdução
no mercado do primeiro microcomputador de sucesso comercial, o Apple
II, projetado pelos jovens Steve Wozniac e
Steve Jobs,
na garagem da casa de seus pais.
|
|
|
Ronald
Rivest, Adi Shamir e Leonard Adleman, pesquisadores do
Laboratório
de Ciência da Computação do MIT,
descobriram a função
matemática necessária para tornar as cifras
assimétricas
(1976) uma invenção prática, uma
função
irreversível que só podia ser lida em
situações
excepcionais. Numa analogia a um cadeado: fechar um cadeado
é uma
função irreversível, visto que é
difícil
abrir um cadeado a menos que se tenha algo especial (a chave), caso em
que a função é facilmente revertida.
|
Para
ilustrar esta função, podemos pensar em N como
a chave pública,
a informação disponível para todos, e em
p e q, que
correspondem à chave privada. N = p X q, sendo que p e
q são
números primos (são divisíveis apenas
por eles próprios
e por 1). Quanto maiores os valores de p e q, maior é o grau de
segurança da mensagem, uma vez que maior é o
tempo necessário
para que uma máquina decomponha o produto p X q. Para
encodificar
uma mensagem hoje, é usado um valor de N tão grande que
todos os computadores do planeta precisariam de um tempo
superior à
idade do universo para quebrar a cifra. Merece destaque a
luta do governo
americano para limitar o número de chaves por
mensagem, que equivale
ao número de bits. A Agência Nacional de Segurança
(NSA) decretou uma versão oficial, a DES
(Padrão de Encodificação
de Informação), que prevê 56 bits.
|
|
| 1978 |
Surge
o primeiro sistema de troca de mensagens entre usuários por meio
de um modem: o BBS (Bulletin Board System).
|
|
| 1979 |
É
criada a USENET (Unix User Network), com o objetivo de
distribuir
informações a usuários do sistema
Unix.
|
Roy
Trubshaw desenvolve o primeiro MUD (Multi-User
Dimension), ambiente
que permite a usuários distantes na Internet
compartilhar o mesmo
espaço virtual em que podem conversar (digitando
palavras) em tempo
real. Sua extensibilidade permite aos usuários
alterá-lo.
|
| 1981 |
A
IBM introduziu no mercado sua versão do
microcomputador: o PC
(Personal Computer).
|
O
governo americano, através da National Science Foundation, criou
a sua própria rede: a NSFnet, para ser usada por
escolas e universidades
que não tivessem acesso à Arpanet.
|
|
A
Universidade de Nova Iorque desenvolveu a Bitnet só para
cientistas que tivessem computadores IBM.
|
||
| 1982 |
Emergência
das redes locais (LANS - Local Area Networks), que interligavam
computadores em uma área restrita, possível graças
à invenção da Ethernet
(padrão de transmissão
física para comunicação em freqüência
de rádio digital através de redes de fios de
cobre).
|
As
várias nets espalhadas pelo mundo acabaram por aderir,
dado o risco
de se isolar dos demais usuários.
|
|
A
Arpanet divulgou oficialmente que passaria a usar
exclusivamente em suas
comunicações o IP (Protocolo Internet), desenvolvido em
1974.
|
||
| 1983 |
A
palavra Protocolo de "Protocolo Internet" foi
abolida e a rede
passou a chamar, simplesmente, Internet.
|
|
| 1984 |
Lançamento
do Macintosh da Apple, o primeiro passo rumo aos computadores
de fácil
utilização, com a introdução da tecnologia
baseada em ícones e interfaces com o usuário,
desenvolvida
originalmente em 1970 pelo Centro de Pesquisas Palo Alto da
Xerox. A Internet
ainda é uma rede usada somente para fins
científicos, restrita,
portanto, ao círculo acadêmico. Mas o
número de computadores
ligados a ela era já era superior a 1.000. O
número de e-mails
pessoais também já superava as expectativas
mais otimistas.
|
William
Gibson cria, no livro "Neuromancer", o termo
ciberespaço,
e assim o define: "Ciberespaço. Uma
alucinação
consensual experimentada diariamente por bilhões de operadores
legitimados, em cada nação, por crianças
atrás
de conceitos matemáticos ensinados... Uma
representação
gráfica de informação abstraída dos bancos
de cada computador no sistema humano. Complexidade impensável.
Linhas de luz vagueando no não espaço da mente, cachos e
constelações de informação. Como luzes da
cidade, recuando.".
|
|
IV.
Internet e Liberdade
|
||
| 1986 |
Mudança
de status de rede estatal para rede independente, quando a National
Science Foundation passou a ser responsável pela Arpanet e
começou uma campanha deincentivo à
participação
de outras universidades americanas no sistema.
|
O
fim da administração militar está
também articulado
ao barateamento do micro computador pessoal,pois implicava
problemas adicionais
de segurança. Foi em virtude desses temores que
criaram a Milnet
(1982), uma rede separada; abdicar do controle torna-se mais
fácil.
|
|
A
Universidade de Cleveland cria a FREENET, a primeira
rede de acesso
público e livre à Intenet.
|
||
| 1987 |
A
Arpanet conta com 1.000.000 de usuários.
|
|
| 1988 |
França,
Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia,
Noruega e Suécia
entram na Internet.
O primeiro vírus atacou. Autor: Robert Morris Jr., estudante de computação da Universidade de Cornell. Efeito: 10% de todo o sistema foi destruído. A partir desse momento, o termo hacker irá paulatinamente ganhar a conotação do criminoso que ataca sistemas de computador. |
Timothy
C. May escreve o Manifesto Cripto-Anarquista: “Um espectro
está assombrando o mundo moderno, o espectro da cripto-anarquia.
A tecnologia de computação está prestes
a dar a indivíduos
e grupos a capacidade de comunicar e interagir de um modo
totalmente anônimo...
O Estado, é claro, tentará desacelerar ou deter
a difusão
desta tecnologia, citando preocupações de
segurança
nacional, seu uso por traficantes de drogas ou sonegadores de impostos
e temores de desintegração social... Mas isso não
deterá a difusão da cripto-anarquia. Assim como
a tecnologia
da imprensa alterou e reduziu o poder das guildas medievais e
a estrutura
de poder social, do mesmo modo os métodos de
criptografia alterarão
fundamentalmente a natureza das corporações e a
interferência
governamental nas transações
econômicas... Esta descoberta
aparentemente menor, saída de um ramo arcano da
matemática,
virá a ser os alicates que desmantelarão o arame farpado
erguido em torno da propriedade intelectual. Levantem-se; vocês
não têm nada a perder a não ser suas
cercas de arame
farpado”.
|
| 1989 |
Austrália,
Alemanha, Israel, Itália, Japão, México, Holanda,
Nova Zelândia, Porto Rico e Reino Unido entram na
Internet
|
"Fruto
da fusão de duas publicações anteriores,
a High Frontiers
(""um jornal de ciência psicodélica, potencial
humano, irreverência e arte moderna"") e a
Reality Hackers,
é fundada a Mondo 2000, tendo William Gibson e
Timothy Leary
como seus gurus. Trata-se de uma revista com a seguinte
proposta: “Mondo
2000 está aqui para cobrir a vanguarda em
hipercultura. Nós
traremos para você as novidades nas formas de
mutação
interativas entre o humano e o tecnológico.
Estamos falando Cyber-Chautauqua: trazendo a cibercultura para as pessoas! Módulos de conhecimento artificiais. Música visual. Tecnologias. A Matrix do ciberespaço de William Gibson – plenamente concretizada! As antigas elites de informação estão morrendo. As crianças estão no controle. Esta revista é sobre o que fazer até que o novo milênio venha. Estamos falando sobre possibilidades totais. Avanços radicais nos limites da biologia, gravidade e tempo. O fim da escassez artificial. O surgimento de um novo humanismo. Tecnologia para o poder individual, diversão e jogos. Tornando a felicidade máxima nosso estado de consciência normal.”. " |
| 1990 |
A
Arpanet é desplugada. Vinton Cerf registrou sua tristeza
no “Funeral para a Arpanet”, que assim termina:
“Foi a primeira e, como tal, foi melhor, mas agora a assentamos para sempre. Agora pare comigo um minuto, derrame algumas lágrimas. Pelo passado distante, por amor, por anos e anos De trabalho fiel, dever cumprido, eu choro. Renuncie teu pacote, agora, O amiga, e durma.”. |
Tim
Berners-Lee declara, em seu ""World Wide Web: Proposal for a
HyperText Project"": ""as incompatibilidades atuais
das plataformas e ferramentas tornam impossível o
acesso à
informação existente através de uma
interface comum,
o que leva à perda de tempo, frustração
e respostas
obsoletas para perguntas simples. Existe um enorme
benefício potencial
na integração de uma variedade de sistemas que permita ao
usuário seguir links que conduzam de uma
informação
a outra"".
O uso social do conceito de rede enfatiza a transgressão de fronteiras, a abertura de conexões, a multiplicidade, a flexibilidade, a transparência e o acesso de todos à informação. Rede como símbolo do ilimitado, por sua ausência de centro e de margem. Na ciência, por sua vez, a rede torna-se o arquétipo de tudo o que é interdependente e complexo. |
|
Argentina,
Áustria, Bélgica, Brasil, Chile,
Grécia, Índia,
Coréia do Sul, Espanha e Suíça entram na
Internet.
|
||
|
Havia
250 redes fora dos EUA em funcionamento, equivalendo a mais de 20% do
total.
|
||
|
O
custo médio do processamento da informação caiu de
aproximandamente US$ 75 por cada milhão de
operações,
em 1960, para menos de US$ 0,0001 em 1990.
|
||
| 1991 |
Tim
Berners-Lee cria uma linguagem chamada HTML
(HyperText Markup
Language), um conjunto de instruções que
permite a criação
do hipertexto. Trata-se de um modo uniforme de representar
informações.
Igualmente, um único endereço foi designado para qualquer
informação disponível na Internet, um URL
(Universal Resource Locator). Para ligar e transportar essa
informação,
foi criado um conjunto de convenções chamado HTTP
(HyperText Transport Protocol).
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O
sucesso da Era da Informação depende da habilidade de se
proteger a informação que flui pelo mundo, o que depende,
por sua vez, do poder da criptografia. Na guerra pela
privacidade, tem-se
de um lado o governo e, do outro, o indivíduo comum. O papel da
criptografia será decidido pelos governantes que
nós elegermos
e pelos interesses das empresas.
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Phil
Zimmermann lança o PGP, um software gratuito que visava
a disponibilizar o sistema de criptografia de chave pública para
todos. Pouco tempo antes, uma das cláusulas da lei
anti-crime decretada
pelo Congresso Americano dizia que os sistemas de
comunicação
deveriam permitir ao governo obter todo o conteúdo de
voz e informação.
Em função disso, Zimmermann foi sujeito a uma
séria
investigação, tendo sido inclusive perseguido
pelo FBI.
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| 1992 |
O
comércio entra oficialmente na WWW. É
criado o .com.
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| 1993 |
Mosaic:
primeiro web browser popular criado por uma
equipe liderado
por Marc Andreessen no National Center for Super Computing Applications
(NCSA).
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Permitindo
o acesso à rede através do mouse, o Mosaic
representa o
fim do uso dos códigos de
programação, facilitando
o acesso a qualquer usuário não habituado com linguagens
de programação.
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Havia
62 servidores WEB.
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| 1994 |
É
lançado o Netscape, a versão comercial do
Mosaic. Mais veloz,
com interface mais simples e incluindo mecanismos de criptografia para
permitir transações comerciais, foi um sucesso imediato.
Surgimento dos mecanismos de busca. Os mecanismos de busca tornam a Internet acessível a consumidores e criam um tráfego confiável: não é mais necessário saber que informação se procura e onde ela está; pode-se começar a busca por informação de um ponto central e então ramificar. O Brasil registra a existência de 20 jornais on-line. Havia 1.248 servidores WEB. |
Os
mecanismos de busca são empreendimentos comerciais com
forte atração
para investidores porque ajudam a direcionar o tráfego
na Internet
e aumentam o potencial para traçar perfis de
usuários. À
medida que permite conhecer uma audiência (a partir de arquivos
chamados cookies), gera oportunidades de publicidade,
o que permite
que o conteúdo seja dado de graça aos
usuários, posto
que pago por anunciantes.
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| 1995 |
Havia
22.000 redes fora dos EUA em funcionamento, significando mais
de 40%.
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Michael
Hauben cria o termo netizen, que define o
"cidadão
da rede".
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| 1996 |
John
Perry Barlow escreve "A Declaration of the Independece of
Cyberspace", em que define o ciberespaço como "o
novo lar da mente" e critica as tentativas dos
órgãos
do governo tradicional de regular a Internet. "Governos do mundo
industrializado, vocês não passam de gigantes de carne e
aço. Em nome do futuro, eu peço a vocês do passado
para nos deixar em paz. Vocês não são
bem-vindos entre
nós. Não têm nenhuma soberania onde nos
encontramos.
(...) Estamos criando um mundo onde todos podem entrar sem
privilégio
ou preconceito gerado por raça, poder econômico,
força
militar ou lugar de nascimento. Estamos criando um mundo onde qualquer
um, em qualquer lugar, pode expressar suas crenças, não
importa o quão singular sejam, sem temor de ser
coagido ao silêncio
ou à conformidade.".
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V.
A Internet e o Comércio
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| 1997 |
O
número de jornais on-line no Brasil já chega a
4.925.
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Tim
Berners-Lee lista os resultados da Web: poder ao
indivíduo;
eficiência social, compreensão e harmonia;
exploração
do poder da computação na vida real.
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Começa
a discussão acerca do excesso de
informação,
gerado em função da a redução
brutal dos custos
e das dificuldades de produzir e distribuir informações
à distância, dando a cada indivíduo a possibilidade
de ser o mediador – que produz e divulga para muitos – do seu
próprio acontecimento. Por essa facilidade e pela ausência
de centralização na produção e
distribuição
de informações, cresce a quantidade de
informações
interessantes disponíveis para cada um de nós;
cresce, também,
em simultâneo, a dificuldade de cada indivíduo
em encontra-las.
O excesso de informação traz um limite no espaço
ilimitado da rede; de um lado, ele se manifesta, como a
aceleração
do ritmo de vida de quem está conectado, obrigado a
processar muito
mais informações do que anteriormente; de outro lado, ele
se manifesta como o tempo disponível de cada
indivíduo para
encontrar e processar a informação que se deseja. A rede
é certamente a proximidade tecnológica de todos
com todos;
quem está on-line, está sempre, potencialmente, à
distância de um mero clic do mouse da
informação desejada.
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Pelo
excesso de informação, a rede será caracterizada
pela distância cognitiva de todos com todos.
Daí também
o ressurgimento da necessidade de mediação e
também
de sua importância, pois o mediador pode ser aquele que
nos permite
encontrar o raro e maravilhoso, alterando nossa paisagem
mental e permitindo
a construção de comunidades, ou pode ser aquele
que simplifica
a viagem aprisionando o indivíduo no interior de seus
interesses.
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| 1998 |
Surgimento
dos portais, com a idéia de que todas as
viagens na Internet
começassem por ele. O portal quer ser todas as coisas para todas
as pessoas: fornece tudo e permite a
personalização.
Para atrair e aumentar a atenção, de modo a
manter o serviço
gratuito e ampliar a receita de publicidade, oferece
informação
(notícias), comunicação (chat e e-mail), compras
(link para varejo e leilão), webpage e jogos
on-line.
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"Ascensão
vertiginosa dos valores das ações dos
mecanismos de busca.
O portal materializa a idéia de uma Internet em miniatura simplificada e acessível. Situando-se usualmente no início das viagens de um internauta, pretende ora ser necessário para a continuação da viagem, ora ser o próprio fim. Por isso, pretendem ao estatuto de portal mecanismos de busca (ex.: Yahoo), provedores de acesso (ex.: AOL) e produtores de conteúdo em mídias tradicionais (ex.: UOL). Sua essência reside na distribuição da informação, e não na sua produção. A questão é coletar muito e distribuir de modo eficiente para os indivíduos segundo suas preferências. " |
| 1999 |
Napster:
um exemplo de arquitetura peer-to-peer, permitindo que
computadores troquem
diretamente informações, no caso arquivos de
músico
em formato MP3.
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Lawrence
Lessig lança "Code and other laws of cyberspace",
em que afirma que "a Internet já está
fortemente regulamentada;
ela foi formatada não por meio de decretos, mas de
códigos
- pelos bits e bytes que constituem a espinha dorsal do mundo
digital.(...)
Uma legião de empresas vem transformando o ciberespaço no
paraíso dos marqueteiros em detrimento de todas as
formas de comunicação
que não dispõem de um potencial gerador de
receitas tão
evidente". Ele resume esse paradigma pessimista numa visão
ameaçadora e provável: "um futuro de
controle em grande
parte exercido por tecnologias de comércio e
sustentadas pela força
da lei".
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| 2000 |
Segundo
algumas estimativas, o fluxo de arquivos MP3 supera o de
mensagens ligadas
à pornografia e ao sexo.
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Expansão
da Internet faz explodir demanda por novos sistemas de
codificação
para não colocar em risco o uso de e-mails e compras na rede. A
questão da propriedade intelectual
também surge com
força.
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| 2001 |
O
Napster foi derrotado nos tribunais pela indústria
fonográfica.
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| o que está em jogo |
Como
está a Internet no Brasil?
Segundo diversas pesquisas publicadas nos cadernos especializados de jornais, a adesão à Internet (entendida não apenas como aumento de usuários, mas também como transição para o mundo on-line de diversas atividades) cresce explosivamente, tal como mostra a evolução do número de domínios .br (em milhares) desde 1995: 0,8 (95); 20 (96); 77 ( 97); 117 (98); 215 (jan/99); 310 (jul/99); 446 (jan/00) e 663 (jul/00). Cabe lembrar, contudo, que apenas 1,4% das webpages na Internet estão em português. A situação atual da infra-estrutura e do número de usuários pode ser assim sumarizada: 250 provedores de acesso (00); a penetração de PCs na população é de 4 a 8%, dependendo da fonte; e na estimativa mais otimista, haveria 11,6 milhões de usuários (01), numa população de 175 milhões (01)." |
Arquitetura
descentralizada do peer to peer, cujo exemplo conhecido
é o Napster,
que reforça a interatividade da rede; os
esforços de centralização
levados a cabo pelos portais e provedores; o retorno da rede
como acesso
remoto a recursos na esteira do propriedade intelectual (o
sonho da Microsoft:
seus softwares não estarão mais nos
computadores, mas serão
acessados remotamente); o ativismo em torno dos softwares de
código
aberto; a batalha pela privacidade das
informações, em que
os adversário são, de um lado, o
comércio eletrônico
e as empresas de publicidade e, de outro, os
indivíduos que temem
que o rastreamento de suas ações na rede
permita a identificação
e previsão de seus comportamentos; a batalha pela
propriedade intelectual,
e a oposição com a idéia da rede com espaço
público, em que a informação é livre e pode
ser acessada por qualquer um; o desenvolvimento das técnicas de
criptografia, que interessam paradoxalmente tanto o
comércio quanto
aqueles que não querem que suas ações
sejam rastreadas,
mas que o Estado teme. O futuro está em aberto.
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Os
usuários da Internet no Brasil são, na sua
maioria, homens
(57%), jovens (50% dos usuários têm 18-34 anos), com pouca
experiência on-line (55% têm até 2 anos de
experiência),
ricos (80% pertencentes às classes A e B) e habitantes
das grandes
metrópoles brasileiras (43% dos usuários
estão concentrados
nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro). O
potencial democratizador
da Internet encontra, no Brasil, um obstáculo na simultaneidade
entre a concentração de renda e o mercado
consumidor elitizado,
já de tamanho suficiente (afinal, os 20% mais ricos
já representam
35 milhões de consumidores).
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